«Qual é o objectivo de correr? Nenhum, apenas quero continuar a correr. Não tenho outra finalidade além da de continuar a correr enquanto puder. Corro para viver. Não posso viver de outra maneira.»
Domingo, 15 DE Novembro 2009

Com o Paiva e o Meixedo mais à frente o Pena e o Almeida mais atrás, reparei que a distância não se tinha alterado muito, quer dizer que todos estavam dentro dos planos feitos. Continuo a minha corrida, novamente em direcção à ponte D. Luís e depois até ao Freixo, em bom ritmo e cheio de forças. E foi assim até ao km 30…

Avisto a placa com o número 30. Aponto para ela e digo: És tu!! E foi a partir deste quilómetro, como tinha previsto, que o ritmo começou cair. O cansaço começou a fazer-se sentir, as pernas começaram a ficar mais pesadas, a falta de treinos longos começaram-se a notar.
E aqui começa o “aguenta-te sempre!”: quando o cansaço é muito, quando as dores aparecem, quando todo o corpo nos pede para parar, começa a verdadeira corrida. Aguenta-te! E vai-se buscar as energias que já se não tem. O espírito eleva-se e podemos tocar o céu. É o Nirvana. A dor é passageira. O sofrimento é a droga que me faz continuar. Não me mata: torna-me mais forte. Cerro os dentes e “pra frente é que é o caminho!”.
E continuo a correr, fazendo sempre mais que os 5m/km, sem força nas pernas, mas com uma enorme força de moral: afinal de contas já tinha enfrentado muitos mais quilómetros.
Em direcção ao retorno do edifício transparente vejo o Paiva que já vem em sentido contrario, olho para o relógio, “força Miguel.”, e penso que ainda vai fazer abaixo das 3h30m. Retorno, vejo o Pena e depois o Almeida. Avenida da Boavista acima, em ligeira subida, e apesar das pernas não corresponderem muito bem ainda faço um último forcing. Meta à vista. A Isabel tira-me umas fotos (Era para lhe dizer que o António já ai vinha, mas não deu, só deu para isto
tão bem que eu fiquei… sou mesmo fotogénico…)
Meta, tempo do meu relógio: 3h33m11s
Vejo o Meixedo, conseguiu baixar as 3h25m, brilhante; pergunto pelo Paiva, um pouco acima das 3h30m, fica para o ano, sem lesões.
Uma aguinha e fico perto da meta para cumprimentar os companheiros que se avizinham: o Pena, brilhante também. Depois o Almeida, procura a Vitória, mas a foto finish desta vez só tem a vitória do objectivo plenamente alcançado.
Os meus objectivo também foram alcançados, apesar de querer fazer um tempo melhor, sei que perante o treino que pude fazer foi um tempo muito bom. Baixar as 3h30m e quem sabe chegar às 3h20m fica para as próximas Maratonas.
Ricardo às 23:59
Sexta-feira, 13 DE Novembro 2009

Tomo o pequeno-almoço às 7h. Depois faço a última verificação do equipamento. Tudo pronto, chamo um táxi: Pavilhão Rosa Mota, Partida da Maratona.

Ainda meio deserta dirijo-me ao cafezinho. Sento-me numa paragem de autocarro e saboreio o café. Quente sem açúcar.

Vou vendo os atletas que passam, nervoso miudinho no ar, e eis que descubro os primeiros conhecidos. Deito o copo no lixo e vou cumprimentá-los. Havia tantas coisas para falar mas o tempo não era muito.

 

E lá partimos com cada um a impor o seu ritmo. Nos primeiros quilómetros ainda segui de perto o Almeida e o Pena, mas depois os ritmos desencontraram-se. Eu quis aproveitar a pequena descida para ganhar algum tempo que iria perder depois. Aquela gestão do esforço não ia ser aplicada, porque eu sabia que o meu problema ia estar depois das 2h30m/30Km. E lá fui no meu ritmo ficando o Almeida um pouco para trás e o Pena um pouco à frente (qual foi o meu espanto que na viragem do edifício transparente vejo que o Rui Pena vem atrás de mim... até fiquei confundido... mas já sei o que se passou...)

E corri por ali fora, desfrutando ao máximo da corrida. O tendão de Aquiles portavasse bem, eu estava bem, não havia vento. Era uma alegria.

Ia eu, ainda em direcção à Ponte D. Luís e já via os primeiros lá do outro lado do rio. Estes já tinham feito o retorno da Afurada, se eu ia a correr aqueles ali iam a quê?

Nos abastecimentos pegava numa garrafa de água e levava comigo para ir bebendo. Só a largava uns 3 km à frente. Porquê? Porque os abastecimentos de 5 em 5 km são óptimos para quem os corre em 15 minutos, para mim que os demoro mais a correr é muito tempo sem hidratar e quando chego ao próximo abastecimento já posso levar sede, a sede é um mau sinal quer dizer que já vou desidratado, além disso caio na tentação de beber “mais que a conta”. Também tomei uns géis: aos 10 km, aos 20 km, aos 25 km e aos 35 km. Comi uma barra de frutas aos 30 km.

A entrada da Ponte D. Luís é o melhor local para ver a prova, afinal de contas passamos ali três vezes. Também é o melhor local que se passa na prova, há mais apoio (tomara que fosse assim o percurso todo). Os espanhóis são, de longe, os melhores apoiantes: Puxam por nós, dizendo o nosso nome (dorsais personalizados) com palavras de incentivos. É outra cultura desportiva que ainda não temos por cá, apesar de terem o Real de Madrid e o Barcelona e de serem campeões Europeus, não vivem só de futebol. Na TV falou-se mais do Paulo Bento do que da Maratona do Porto onde houve atletas portugueses que conseguiram mínimos para os campeonatos da Europa do próximo ano... enfim...

Em direcção à Afurada, incentivo os atletas que já vêm do retorno: A Fernanda Ribeiro, o Luís Mota, o António Pinto e mais alguns que vão passando, incentivo os espectadores, achei que estavam mais cansados do que eu. Vejo canonistas e remadores, pescadores e outras pessoas que estão a ver o que se passa mas que não sabem muito bem o que é.

Meia-maratona abaixo das 1h44m

Ricardo às 22:48
Quarta-feira, 11 DE Novembro 2009

A coisa esteve para não acontecer. Com a certeza de não ir a ter mais força que a incerteza de ir, os treinos longos não aconteceram como deveriam ter acontecido. Fiz alguns com o máximo de duas horas, muito pouco longos... Mas independente disso estava contente por estar rumo à maratona do Porto.

Foi no Porto, em 2007, que me estreei na mítica distância.
Cheguei ao Porto na sexta-feira, depois de duas viagens de avião que me deixaram de rastos e com dores nas pernas devido às horas parado e sentado sem sair do lugar. Depois de ter feito o chec-in no hotel sai para dar uma caminhada para esticar as pernas. Pensei 45' a 50'. Como não conheço o Porto meti-me numa estrada (circunvalação) como intuito de fazer 20' a 25' para um lado e voltar. Acontece que na hora de voltar avistei ao longe um M e alterei os meus planos dessa noite. Fiquei no Norte Shoping e comi um BigMac... (aqui na terceira não há MacDonald's, nem sei como aguento...)
O sábado foi passado no Porto a passear (andar em vez de descansar). Na feira da maratona levantei o dorsal e comprei o “Correr por prazer”. Esperava ter visto gente conhecida, mas não tive essa sorte. Continuei o meu passeio até ficar noite. Depois fui para o hotel. Onde jantei mais umas massas, que aquela pasta party foi muito fraquinha...
Ricardo às 19:17
Domingo, 08 DE Novembro 2009

Foi como eu tinha planeado:

Ataquei a corrida para baixar as 3h30m. Na maior normalidade, o meu passo está tão "automático" que me era difícil ir mais lento ou mais rápido.
Ao km 30, precisamente ao Km 30, o ritmo baixou. As pernas não davam para mais. Falta de treinos.
O tempo: 3h33m11s no meu relógio. O meu melhor registo na distancia.
Amanha, ou depois, passo a deixar um relatório mais extenso. Mas agora tenho que ir... Descansar.
Ricardo às 14:43
Quinta-feira, 05 DE Novembro 2009

A ansiedade aperta. Últimos dias.

Falatam 3 dias para a Maratona da Cidade do Porto.
Amanhã partirei aqui desta Ilha para o Porto, com objectivo realista: Chegar ao fim.
A deficiente preparação que fiz, nomeadamente a ausência de treinos longos, vendo a previsão do tempo que vai fazer no Domingo no Porto, não deixam espaço pensar mais alto. À partida será muito bom se eu acabar a Maratona lá pelas 3h45m.
Mas, há sempre um mas, os meus pensamentos para o dia não tem a ver com os objectivos realistas, e são estes:
-Não tenho corrido muito estes dias devido à dor que senti, acho que a dor está ultrapassada, mas não sei as sensações que vou ter no domingo quando começar a correr.
-Se me estiver a sentir bem, vou atacar os primeiros quilómetros como se fosse para baixar as 3h30m.
-Se vir que a máquina não está boa, vou tentar ir num ritmo confortável para chegar ao fim.
-Devido a ausência de corridas mais longas, sei que lá pelo km 30, encontrarei o muro. Depois é “aguenta-te sempre!”
(Treinasses mais...)
Ricardo às 17:49
Quarta-feira, 28 DE Outubro 2009

Ontem apareceu-me uma dor no tendão de Aquiles direito. Preocupante. Com 10 minutos de corrida. Aumento o ritmo para ritmo de maratona e logo me vem a dor mais forte no tendão. Parei. Completei aquele aquecimento com uns abdominais e dorsais, não muito concentrado no que estava a fazer, mais preocupado na dor que sentia. Cheguei a casa e envolvi o calcanhar com gelo, hoje tomei um anti-inflamatório (vou continuar a tomar de 8 em 8h), na hora de almoço passarei pela farmácia para comprar um gel ou pomada para massajar a zona. … e esperar que não seja nada de muito grave! Entretanto mandei um email a uma especialista a pedir a opinião... A preparação para a maratona do Porto não está a correr bem, começou logo no fim da primeira semana... Mas a presença na invicta já está confirmada. Dorsal 1566.

Ricardo às 12:27
Segunda-feira, 26 DE Outubro 2009

E obrigado porquê? Nunca percebi muito bem porque se diz obrigado a certas coisas. Digo-o porque fui amestrado desde pequenino: -O que é que se diz? (há já sei:) Obrigado! (Mas porquê? Ofereceram-me uma coisa, que eu não pedi, nem gosto…)

O José Hermano Saraiva uma vez esclareceu-me: "diz-se obrigado quando se devia dizer agradecido." Ok, já tem mais sentido…
Mas depende do sentido… -Parabéns! –Agradecido. … Também não faz todo o sentido…
E parabéns porquê?
Ontem fiz anos, uma quantidade deles…
-Parabéns! -Obrigado.
Para festejar, corri-os.
34 Km em 3h03m. Logo de manhã, também como preparação para a maratona do Porto, com o equipamento que, em principio, vou usar.
Depois festejei como gente “normal”… Um jantar com os amigos daqui.
Ao longo do dia (o mais longo do ano, com 25h) fui recebendo uns telefonemas de parabéns e uns sms de pessoas que se lembram de mim. Gostava de ter recebido mais, mas a distância e a falta de contacto faz-nos mergulhar aos poucos no esquecimento. É a vida, que no seu rumo nos afasta de umas pessoas e nos faz conhecer outras novas.
É por isso que a vida parece difícil de viver, mas a verdade é que não é nada fácil.

-Parabéns! -Ok.

Ricardo às 01:03
Quinta-feira, 22 DE Outubro 2009

E qual o melhor hotel para ficar no Porto?

Ricardo às 18:35
Quarta-feira, 21 DE Outubro 2009

Agora estou com uma dúvidas: que sapatilhas levar para a maratona?

Eu tinha pensado nas Nike Pegasus 25, que comprei em Agosto (a preço de saldo, pois claro). O que eu não gostei foi das bolhas que me fizeram nos calcanhares. Pode ter uma explicação extra sapatilhas, mas o facto é que fiquei com desconfianças.
Não tenho muita alternativa:
- As Adidas Kanada Trail, que nunca me deram problemas e já fiz com elas a preparação e mais de 60 Km na volta à ilha. O problema é que estão “velhinhas” e não são feitas propriamente para estrada…
- As Asics gel 2120, que ainda estão mais velhinhas e gastas, mas que também nunca me deram problemas de maior.
Por enquanto não me vou preocupar com isso, as Nike vão continuar a ser primeira opção, se tiver mais algum problema ou algum desconforto hei-de deixá-las no armário e correr com outras.
Ricardo às 17:05
Segunda-feira, 19 DE Outubro 2009

Já estou inscrito na Maratona do Porto.

Depois de tantas voltas, sempre há disponibilidade para ir.
A preparação não foi a melhor, e agora é tarde para corrigir.
A ver vamos o que vai acontecer.
Ricardo às 17:54
Ultra-Maratonas

Volta à Ilha Terceira (83Km)
24MAI09 | 9h40m08s

Maratonas

Maratona do Porto
21OUT07 | 3h43m14s

Maratona de Lisboa
07DEC08 | 3h35m58s

Maratona do Porto
08NOV09 | 3h33m11s

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Olá Ricardo!A Maratona na 1ª pessoa. Quem lê gosta...
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